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sábado, 17 de junho de 2017

Joesley Batista: “Temer é o chefe da quadrilha e Lula institucionalizou a corrupção no Brasil”

Em entrevista exclusiva para a ÉPOCA, assinada pelo jornalista Diego Escosteguy, o empresário Joesley Batista, um dos donos da J&F, diz que o presidente não tinha “cerimônia” para pedir dinheiro e que Eduardo Cunha cobrava propina em nome de Temer. A entrevista está publicada na edição desta semana e é a primeira entrevista exclusiva desde que fechou a mais pesada delação dos três anos de Lava Jato. Em mais de quatro horas de conversa, precedidas de semanas de intensa negociação, Joesley explicou minuciosamente, sempre fazendo referência aos documentos entregues à Procuradoria-Geral da República, como se tornou o maior comprador de políticos do Brasil. Discorreu sobre os motivos que o levaram a gravar o presidente Michel Temer e a se oferecer à PGR para flagrar crimes em andamento contra a Lava Jato. Atacou o presidente, a quem acusa, com casos e detalhes inéditos, de liderar “a maior e mais perigosa organização criminosa do Brasil” – e de usar a máquina do governo para retaliá-lo. Contou como o PT de Lula “institucionalizou” a corrupção no Brasil e de que modo o PSDB de Aécio Neves entrou em leilões para comprar partidos nas eleições de 2014. O empresário garante estar arrependido dos crimes que cometeu e se defendeu das acusações de que lucrou com a própria delação.

Para ler a entrevista, dê um clique AQUI.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Ex-cantora de Cavaleiros do Forró morre em Aracaju

Eliza Clívia cantou em Heliópolis em 2014
A ex-vocalista da banda Cavaleiros do Forró, Eliza Clívia, 37 anos, e o namorado dela, o baterista Sérgio Ramos, morreram hoje à tarde num acidente envolvendo um ônibus e o carro de passeio em que viajavam. A fatalidade aconteceu entre as ruas Arauá e Maruim, no centro de Aracaju (veja vídeo neste post). O casal estava se deslocando para a TV Atalaia, afiliada da Record em Sergipe, para dar uma entrevista no Programa Tolerância Zero. No último post em sua conta no Instagram, a cantora contou que já tinha chegado em Aracaju e que já estava na TV Aperipê.
O carro onde estavam as vítimas teria invadiu a rua preferencial, colidindo com um ônibus de transporte coletivo, como mostra o vídeo. O produtor da cantora, Jailson Souza, disse que cinco pessoas estavam no carro no momento do acidente. Três deles foram removidos para o Hospital de Urgência de Sergipe (Huse) com ferimentos leves. 
Eliza nasceu em Livramento da Paraíba e ficou conhecida quando atuou na banda Cavaleiros do Forró e depois na Cavalo de Aço. Esteve no São Pedro de Heliópolis em 2014, inclusive na Alvorada, atuando na banda Cavaleiros do Forró. Atualmente fazia carreira solo em que comemorava 20 anos como cantora. Eliza se apresentaria nesta sexta-feira(16) à noite no Armazém Avenida, casa de show na avenida Hermes Fontes, em Aracaju, que estava promovendo a festa “Arraiá Vip”. Os corpos de Eliza e do namorado dela, Sérgio Ramos, foram levados para o Instituto Médico Legal (IML).

PT, PMDB e PSDB de mãos dadas!


Alexandre Garcia fala sobre agressões sofridas

Alexandre Garcia não reagiu às provocações (foto:Cariri Notícias)
     Depois do episódio de intolerância vivido pela jornalista Miriam Leitão, da TV Globo e do jornal O Globo, hostilizada dentro de um avião por militantes do PT, o jornalista Alexandre Garcia, também do grupo Globo, passou pela mesma experiência lamentável nesta quinta-feira. Acompanhado da mulher, Magda Pereira, Garcia foi sucessivamente ofendido por um militante de esquerda antes de embarcar e durante o voo que o levou do aeroporto de Brasília ao aeroporto de Confins, na região metropolitana de Belo Horizonte.
     O rapaz estava no mesmo voo, o 1700, da companhia aérea Gol, e registrou as hostilidades ao jornalista em um vídeo, que circula em redes sociais e no YouTube (veja abaixo). Ainda na fila do embarque, ele grita palavras de ordem contra a Rede Globo e Alexandre Garcia, acusando-os de terem apoiado a ditadura militar, e chama o jornalista diversas vezes de “golpista”.
     “Que legal que a gente vai no mesmo voo. Golpista! Vai ter mimimiriam Leitão? Alexandre, você também vai soltar notinha se vitimizando igual à Miriam Leitão?”, grita o rapaz. “Vai chamar a Polícia Federal? Vai ter mimimi? Vai dizer que é ódio? Vocês que incentivam o ódio contra o PT, o PCdoB, contra a esquerda”, continua. As agressões verbais seguiram até a entrada de Garcia no avião, quando ele foi xingado de “cagão”. O jornalista não respondeu às provocações.
     A VEJA, Alexandre Garcia relata que os ataques do rapaz começaram ainda no saguão do aeroporto e, embora tenham cessado durante o voo, foram retomados quando a aeronave pousou na capital mineira. “Vi que tinha um sujeito gritando atrás de mim, enlouquecido. É o momento dele aparecer, parecia que estava fora de si. Disse que o destino marcou esse encontro, que nos colocou no mesmo voo. Ele veio gritando desde o balcão”, diz.
     Mesmo diante dos ataques ao jornalista na fila para embarcar, os dois funcionários da Gol responsáveis por conferir as passagens não tomaram nenhuma providência para resguardá-lo, como mostra o vídeo. As imagens mostram, no entanto, que, durante a entrada dos passageiros no avião, o comandante chama o jornalista à entrada da cabine e conversa com ele.
      Segundo Alexandre Garcia, o piloto disse que poderia retirar o rapaz do voo, mas que ele, Garcia, não concordou com a medida. “A aeromoça da Gol tomou a iniciativa de chamar o comandante, que queria expulsá-lo do avião, mas não deixei. É alguém que quer aparecer. E ele acabou voando graças a mim”, ironiza o jornalista. “Era uma pessoa muito alterada, não dei muita importância”, afirma.
     Alexandre Garcia relata que, diante da gritaria do jovem contra ele, o ex-deputado federal do PT e ex-ministro Sigmaringa Seixas lhe prestou solidariedade no aeroporto de Brasília. Ao contrário das hostilidades a Miriam Leitão, atacada por alguns militantes petistas em um voo de Brasília ao Rio de Janeiro, o detrator de Garcia agiu sozinho.

     (João Pedroso de Campos - Veja.com)


domingo, 11 de junho de 2017

O que mudou no ENEM?

Heloísa Helena: história de resistência e verdade

A ex-senadora que chamou a atenção do mundo está hoje na Rede Sustentabilidade e quer ajudar Marina Silva a consolidar uma identidade para a militância do partido
Heloísa Helena em Seabra-BA (foto: Landisvalth Lima)
O nome dela é Heloísa Helena Lima de Moraes Carvalho. Nasceu na cidade de Pão de Açúcar, no estado de Alagoas, às margens do Rio São Francisco. Completou no último dia 6 de junho seus 55 anos de vida, boa parte deles dedicados à luta contra as mazelas que insistem em tomar conta do país. Ao olhar para ela, para os seus cabelos já repletos das mechas brancas confirmadoras dos nascidos em 1962, ninguém jamais imaginaria tratar-se de uma mulher que desafiou boa parte dos coronéis da política deste país. Amável, sempre sorridente, solícita com todos e dona de uma capacidade ímpar de ouvir humildemente. Uma vez na tribuna, com o microfone na mão, ela não deixa para amanhã as verdades que devem ser ditas hoje.
Heloísa Helena parece que ainda não se cansou da luta, embora tenha já afirmado o ano passado que estava aposentada das urnas. Todos se lembram que ela foi a 3ª colocada nas eleições presidenciais em 2006, foi a primeira senadora eleita pelo estado de Alagoas, e pelo PT. Expulsa do Partido dos Trabalhadores em 2003, fundou o PSOL em 2006. Teve a coragem de deixar a presidência da legenda quando o PSOL resolveu apoiar Dilma Rousseff. Foi ainda deputada estadual e vice-prefeita de Maceió. Sem ligação com o estrelismo, disputou e ganhou dois mandatos seguidos de vereadora em Maceió.
Heloísa Helena é atualmente presidente da fundação ligada à Rede Sustentabilidade e também assumiu a coordenação da organização partidária. Sempre foi ligada, desde muito jovem, aos movimentos sociais. Durante a década de 1990, participou, no PT em Maceió, de ações que visavam à defesa de minorias e segmentos sociais menos favorecidos. Candidata pela primeira vez em 1992, se elegeu vice-prefeita de Maceió na chapa do então governador Ronaldo Lessa (PSB). Dois anos depois, foi eleita deputada estadual, a primeira pelo PT em Alagoas.
Em 1996, certamente não gostando dos rumos tomados pelo grupo político que ajudou a chegar ao poder, rompeu com Lessa e candidatou-se à Prefeitura de Maceió contra a então secretária da saúde do município, Kátia Born (PSB), que acabou eleita. Mesmo liderando as pesquisas desde o início do processo eleitoral, foi derrotada no segundo turno. Em outubro de 1998, Heloísa Helena, ainda no PT, é eleita com 374.931 votos como a primeira senadora mulher da República Federativa do Brasil, por seu estado natal, derrotando o então senador Guilherme Palmeira, do então PFL.  Heloísa Helena é formada em Enfermagem e virou professora de Epidemiologia da UFAL – Universidade Federal de Alagoas.  
A ex-senado parece incansável na luta para fazer este país melhor (foto: Landisvalth Lima)
No senado, Heloísa Helena foi a principal pedra no sapato no neoliberalismo de Fernando Henrique Cardoso e do PSDB. Acusava o governo do desmantelamento das políticas sociais, do Estado e da economia nacional, produzindo o mais amplo processo de exclusão social já visto no Brasil, levando desespero a milhares de trabalhadores brasileiros. Chegou a assumir a vice-presidência da Comissão de Assuntos Sociais do Senado e era titular do Conselho de Ética do Senado. Não é necessário dizer que sua participação era garantia de debate constante e de combate às desigualdades sociais. Graças à atuação marcante, virou Líder da Oposição em 2000. Heloísa também apoiou o pedido de impeachment contra FHC no segundo mandato dele, envolvendo a questão do PROER. Aliás, a ex-senadora sempre foi coerente. La viu o PT pedir o impeachment de todos os presidentes da república eleitos pelo voto popular após a redemocratização.
Ao contrário do PSOL e parte da Rede, Heloísa viu o impeachment de Dilma como um ato legal. Agora na Rede, Heloísa não entende como a esquerda brada a saída de Dilma como um golpe, embora reconheça que a legitimidade do cargo de Temer não significa legitimidade política. Essa coerência trouxe muitos problemas para Heloísa. Em 2002 se recusou a ter como vice um político do PL e renunciou à candidatura ao governo de Alagoas. Não queria aliança política com seguidores de Fernando Collor e políticos ligados ao narcotráfico. No ano seguinte, com a vitória de Lula, a última coisa que o PT queria era uma petista coerente. Não aprovou a política econômica do PT e se negou a ratificar o nome de Henrique Meireles para o Banco Central. Além disso, a então senadora teria que engolir o nome de Sarney para presidência do Senado. Era demais para sua biografia. O embate com o governo do PT foi inevitável.  Hoje, a reforma da Previdência, que está fazendo petistas bradarem seus ideais socialistas e revolucionários contra o “governo golpista”, lembra muito a saída de Heloísa Helena do PT. Por entender que o projeto tiraria direitos dos servidores públicos, Heloísa votou contra. Foi expulsa do PT.
Heloísa Helena com os representantes da Rede em Seabra-BA (foto: Landisvalth Lima)
Não dá para entender hoje como José Dirceu e José Genoíno, praticamente os responsáveis pela expulsão dos petistas naquela época, mesmo envolvidos em maracutaias, são considerados heróis do Partido dos Trabalhadores. Enquanto isso, Heloísa Helena segue sua trajetória e, até aqui, não recebeu o reconhecimento dos chamados “esquerdistas”. Mas a ex-senadora deve ter engolido seco quando viu o partido que ela criou, o PSOL, com os expulsos e não reconhecidos do PT, apoiar o próprio algoz, mesmo depois de tanta denúncia envolvendo corrupção e desmonte da Petrobras.  Já vereadora em Maceió, num discurso histórico, disse que o PT frustrou as expectativas dos socialistas brasileiros, porque não transformou o Brasil em uma nação socialista e não resolveu a triste estimativa de dezesseis milhões de brasileiros vivendo em situação de pobreza extrema.
Mas a luta de Heloísa foi reconhecida, claro, não por socialistas. Estes têm uma dificuldade em reconhecer os verdadeiros batalhadores. Precisam de mitos, jamais da realidade. Em 2005 foi agraciada, pelo Governo do Estado de Alagoas, com a Medalha Marechal Floriano Peixoto. Ainda no mesmo ano recebeu a Medalha de Mérito Pedro Ernesto, concedida pela Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Também em 2005 foi eleita pela revista Forbes a mulher mais influente na política e no legislativo Brasileiro. Para fechar o ano glorioso, em dezembro, os profissionais de comunicação, agência de publicidade e leitores da Revista Isto É Gente elegeram Heloísa Helena como Personalidade do ano de 2005.
Sempre amável e sorridente com a militância (foto: Landisvalth Lima)
Agora, Heloísa é bem recebida na Rede, mas ecoam ainda o martírio sofrido na sua caminhada política. Teve candidaturas impugnadas, boatos espalhados para prejudicar sua candidatura, silêncio da imprensa do seu estado e outros senões. Mesmo assim, parece ainda ter energia para uma longa caminhada. Se depender da disposição demonstrada em discurso feito no encontro da Rede na cidade de Seabra-BA, não há dúvida de que Marina Silva recebeu extraordinário reforço para as eleições de 2018. Como também participa da organização do partido, Heloísa Helena tem uma missão difícil: dar identidade à Rede Sustentabilidade. O partido não pode entrar na velha dicotomia política do nós contra eles. Precisa ser uma real alternativa, uma terceira via independente, distante dos chavões da esquerda ultrapassada, sem perder sua opção pelo social, pela ética e pela luta pelo progresso sustentável. Não pode, como fez o PSOL, virar satélite rebelde do PT. 
Por tudo isso, é preciso reconhecer que Heloísa Helena hoje está acima dos partidos. Como Marina Silva, representa a marca da luta de um país que se nega ao não ser. É uma personalidade que vai além das agremiações políticas, que não se contenta apenas em ver a casa arrumada, porque sempre é possível ir além das possibilidades. Heloísa Helena é hoje patrimônio político do Brasil e símbolo daqueles que têm a capacidade de dizer sempre a verdade.